História

Fundadores de Lençóis Paulista


Não há um dado ou uma informação conclusiva quanto ao nome do fundador ou descobridor de Lençóis Paulista. Muitos atribuem o feito a Francisco Alves Pereira, bandeirante que costumeiramente, pelo rio Tietê, fazia o transcurso entre Porto Feliz e o Estado de Goiás, Consta que numa dessas viagens ele acabou se desentendendo com a comitiva e subindo um afluente do Rio Tietê que mais tarde seria batizado de rio dos lençóis. Francisco Alves pereira, segundo historiadores, teria sido a primeira pessoa, além dos índios, a pisar neste chão.
Outros estudiosos  dizem que quem aqui chegou primeiro foi José Teodoro de Souza, conhecido como o “matador do e índios”. Este tem seu nome gravado história de muitas cidades da região. Segundo relatos antigos, ele esteve por algum tempo nas cidades de Avaré, Paranapanema, Botucatu, Bauru e  Espírito Santo do Turvo onde foi enterrado. José Teodoro de Souza que assim com Francisco Alves Pereira é nome de rua em Lençóis Paulista (Vila Capoani).
Nos registros do historiador Alexandre Chitto consta que alguns filhos de Francisco Alves Pereira assinavam ‘Maciel’ e apenas um deles teria sido sepultado no cemitério local. Chegou-se ao nome deles pelo fato de eles serem eleitores. Naquele tempo, só tinha direto a voto a pessoa que possuísse um pedaço, ou uma gleba de terras. Três dos filhos de Pereira eram proprietários de terras no município.
Quanto a José Teodoro de Souza sabe-se que ele era o matador de índios, o ‘valente’ desbravador de sertão. Há documentos que comprovam que ele para experimentar o corte de facão, pegava um indiozinho pelos pés e o cortava ao meio. Teodoro tinha o hábito de fazer amizade com índios e depois, a golpes de facão, dizimava a tribo inteira. “Vocês vão conhecer agora quem é o Capitão Zé Teodoro” bradava ele com a arma em punho.
O sertanejo acabou morrendo numa emboscada armada pelos próprios índios. Seu corpo foi enterrado no cemitério de Espírito Santo do  Turvo, cujo município pertencia  à Comarca de Lençóis


Francisco Alves Pereira


Quem batizou estas terras de Bairro dos Lençóes, foi Francisco Alves Pereira. Ele era natural da Vila de Sorocaba e foi batizado em 1798, na paróquia Nossa Senhora da Ponte. Casou-se em 1819, aos 21 anos de idade na cidade de Tietê com Maria Antunes Maciel. Tanto ele como a esposa eram de cor parda. Por volta de 1825, ele e a esposa fizeram parte de uma expedição que se diria a Goiás. A viagem, ou aventura era feita pelo rio Tietê. A certa altura da viagem, ele e alguns integrantes desentenderam-se com o chefe, abandonaram a comitiva e se aventuraram a explorar o Rio Lençóis, afluente do Tietê. Quando chegou a esta região, Francisco Alves Pereira batizou-a Bairro dos Lençóes. Como desbravador, ficou residindo por pouco tempo no Ribeirão do Paraizo.  Um possível parente seu - Alexandre de Góes Maciel, dono de uma gleba de sesmaria -  já residia na Fazenda Bom Sucesso, margens do Paraizo, vertente do Rio Lençóis. Alexandre poderia ser parente de Francisco Alves Pereira, pois a esposa deste - Maria Antunes Maciel - tinha documentos comprobatórios. A bem da verdade quando o casal chegou a esta região, já tinha conhecimento da existência desse parente. Em 1829, Francisco Alves pereira e esposa já não se encontravam mais no Ribeirão do Paraízo. Eles tinham ido para Araraquara, porque nessa data, no "registro de baptismo", consta o nascimento do seu filho Antônio Alves Maciel. Segundo se apurou, Francisco A. pereira teve quatro filhos: Antônio Alves Maciel, Elias Antunes Maciel, José Antunes Maciel e Leandro Antunes Maciel. O interessante que nenhum filho desse sertanista foi registrado com o codnome Pereira, mas sim, o sobrenome da mãe Antunes Maciel. Esse detalhe dificultou muito as pesquisas dos historiadores. Também não foram encontrados registros que comprovassem que Francisco Alves Pereira fosse possuidor de terras. Presume-se que Francisco Alves Pereira necessitava manter-se incógnito pelo fato de ser ele perseguido pelas autoridades estaduais, que aplicavam pesados castigos ao desertores.

José Theodoro de Souza


Temido bandeirante nasceu no Rio de Janeiro. Era filho de José Ignácio de Souza Teixeira e Francisca Magdalena de Serpa. Quando ele ainda muito criança seus pais transferiram residência para a cidade de Pouso Alegre, Minas Gerais. Aos 24 anos de idade, no dia 30 de janeiro de 1838,  José Theodoro casou-se com Maria José ou Maria Josefa, filha de Izabel Claudina de Jesus. Na metade do século dezenove deixou sua cidade e veio se aventurar na região de Paranapanema. Nessa região ele apossou-se de diversas glebas de terras. Fundou as capelas de São João e São Pedro, em 1872 e a de São José dos Campos Novos. Em São Pedro do Turvo foi onde José Theodoro de Souza passou grande parte de sua vida. Angariou tanto prestígio que acabou sendo vereador na Câmara de Paranapanema. No dia 1º de março de 1872, José Theodoro esteve em Lençóis Paulista para que a Câmara  lhe atestasse a sua idoneidade. Em abril de 1875, faleceu em São Pedro do Turvo, sendo sepultado no cemitério daquela cidade. Ninguém da cidade sabe informar qual é jazigo que se encontra os restos mortais do sertanista. José Theodoro de Souza é amplamente citado nas obras dos historiadores da região de Avaré, Paranapanema e outras cidades da região. Em alguns relatos consta que o bandeirante era tão destemido e cruel que chegava e experimentar o corte do facão nos filhos pequenos dos índios. Ele levantava a criança pelos pés e assim experimenta seu facão. A bugrada morria de medo do "Capitão José Theodoro". Muitas vezes ele se infiltrava no meio dos índios e quando menos se esperava, matava a todos a golpes de facão. Chegou a a dizimar tribos inteiras. "Vocês vão conhecer agora a fúria do capitão José Theodoro" bradava ele e corria em direção aos índios. Ele morreu em São Pedro do Turvo, mas a história conta que quem acabou com ele foram os índios que desta vez não titubearam. Consta que em determina ocasião, José Theodoro trocou centenas de alqueires de terras por um escravo violeiro. Não deu sorte o "artista" morreu poucos dias depois de fechado o negócio.


Lei que elevou Lençóis à categoria de Vila


“José Joaquim Fernandes Torres, do Conselho de Sua Majestade o Imperador, Senador do Império, Presidente da Provícia de São Paulo, etc. Faço saber atodos os seus habitantes que a Assembleia Legislativa Provincial, decretou e eu sanciono a Lei seguinte:
Art. 1º — Fica elevada à categoria de freguezia com as mesmas divisas, digo, com a mesma denominação o Bairro dos Lençóes do município de Botucatu.
Art. 2º — O governo ouvindo as autoridades da Villa de Botucatu, marcará as divisas dessa freguezia.
Art. 3º —  Ficam revogadas as disposições em contrário.
Mando portanto a todas as Autoridades a quem conhecimento e execução da referida Lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nela se contem. O Secretário desta Província a faça imprimir, publicar e correr.  Dada no Palácio do Governo de São Paulo aos vinte e oito dias do mez de abril de mil oitocentos cinqüenta e oito.
(LS) José Joaquim Fernandes Torres
Carta de Lei pela qual Vossa Excellencia manda executar o decreto da Assembleia Legislativa Provincial, que houve por bem sancionar, elevando a cathegoria de freguezia com a mesma denominação o Bairro dos Lençóes no município de Botucatu, na forma assim decretado.

Origem do nome de Lençóis


Há diversas versões sobre a origem do nome que recebeu nossa terra. No dicionário da Terra e da Gente do Brasil, de Bernardino de Souza, vem registrado o termo Lençóis. Explica o autor que “assim se chama na costa maranhense uma série de dunas que se prolongam desde o golfo do Maranhão até a Foz do Paraíba”. O nome Lençóis, lembra, diz o referido autor, citando Raymundo Lopes, indefinida extensão desolada e desnuda, que se estende a leste do Golfo do Maranhão, como primeiro trecho da árida costa nordeste, ondeando em carnaúbas e morros de areia, até a extremidade continental de São Roque”. Esta hipótese deve ser posta de lado, porque o aspecto natural do Município de Lençóis Paulista, apresenta um panorama muito diferente daquele que acima se menciona. Talvez haja influenciado para originar o nome de Lençóis da Bahia, cidade um tanto mais velha que a sua homônima paulista. Há quem afirme que o nome de Lençóis originou-se pela grande quantidade de capim “favorito”que, no século XIX, tomava as extensões baixas. Outros, entretanto, dizem que os exploradores primitivos deram, na ocasião, com intensa florada de gabirobas, cobrindo largas áreas campestres, tomando aspectos de colossais lençóis. Mas a mais certa e credenciada no conceito dos nossos amigos, é que um dos tributários do Tietê, o rio Lençóis, na sua desembocadura, formava ondas que, ao reflexo do sol, representavam tantos pequenos lençóis. Os excursionistas que faziam o trajeto Itu-Goiás, chegando à desembocadura do rio Lençóis, diziam: “Chegamos ao rio dos lençóis”. Francisco Alves Pereira, integrante de uma daquelas caravanas, entrou em desentendimento com o chefe da excursão e chegando à foz do rio Lençóis, com alguns companheiros, desistiu da viagem, aventurando-se a explorar o afluente do Tietê.
Subindo o rio, veio parar nesta região, batizando-a com o nome: “Bairro dos Lençóis”.

Ubirama


No dia 30 de novembro de 1943, a lei nº 14.334, decretada pelo então presidente da república, Getúlio Vargas, mudou o nome de Lençóes para Ubirama. De acordo com a nova lei, não podia haver duas cidades no país com o mesmo nome e como na Bahia já havia uma Lençóes, foi a nossa Lençóis então sacrificada. Nossa cidade ficou com o nome Ubirama por um período de 5 anos: 30 de novembro de 1943 a 24 de dezembro de 1948, quando a lei nº 233 afixou-lhe o nome de Lençóis Paulista. De acordo com alguns estudiosos, Ubirama significa em Tupi-Guarani: estimável ventura, preferível rama, ventura, estimável região, país, pátria, etc.

 

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