No setor esportivo, Lençóis também tem muita história para contar. Foi aqui que na década de 1940, Valdir Pereira começou sua vitoriosa carreira. Didi, como ficou conhecido internacionalmente, foi campeão mundial com a seleção brasileira nas copas de 1958 e 1962. A primeira foi na Suécia e a segunda, no Chile. Depois, Didi atuou por diversos clubes brasileiros e do exterior, mas não esquecia de frisar que tinha começado sua carreira no glorioso Clube Atlético Lençoense o (CAL), que atualmente por causa de política está parado. Outro campeão mundial de futebol que defendeu as cores do CAL é o Marcão, goleiro que atualmente defende o Palmeiras. Marcão foi campeão com a seleção de Luiz Felipe Scolari, na Ásia em 2002. Nos outros esportes a cidade sempre foi muito bem representada. Um exemplo vivo é Maria Angelina Boso, campeã panamericana no arremesso do peso na década de sessenta. Maria Luiz Domingues Betioli conseguiu o mesmo feito na modalidade salto em altura. A mesma faceta foi conquistada por Euclídes Ribeiro, o Cridão, nos cem metros rasos. Em 1989, a equipe de basquetebol mantida pelo Grupo Lwart sagrou-se campeã paulista e no ano seguinte vice-campeã brasileira. Essa equipe tinha no seu plantel; Luiz Felipe, Gerson, Pipoca, Donizete, Chuí e outros tantos craques da seleção brasileira. Em 1975, um lençoense ganhou o cinturão mundial de boxe. Miguel de Oliveira derrotou por nocaute a José Luiz Duran na cidade de Paris, França. No ano seguinte o campeão lençoense perdeu por pontos para o filipino Elisha Obed, que lhe arrebatou o cinturão. Em 1996, em Atlanta nos Estados Unidos, outro lençoense representou o Brasil e foi medalha de bronze nos quatrocentos metros rasos. A proeza foi de Claudinei Quirino da Silva, único lençoense a participar de uma olimpíada. Contudo, não foram só os campeões estaduais, nacionais ou mundiais que projetaram o nome de Lençóis Paulista no cenário esportivo nacional. No futebol, não se pode esquecer dos irmãos Marcolino: Roberto, Romano que defenderam o gol do CAL e Nenê (Ronaldo)atuava na lateral direita. O outro irmão, o Rubens preferia o voleibol. Não se pode deixar passar em branco os nomes de Toninho Biral, Milton Moreira, Billy Capoani, Valter Pacífico, Edilio Carani, Toninho Domingues, Belfari, Limão, Radamés, Disgrama, Nenê Buteco, Elias, apenas para citar alguns. Não se pode deixar de lado o nome de Archangelo Brega, Roberto Sasso, Bertinho Cicconi, Mauricio Brega, Silvio Cordeiro, Etelvino Sampaio, José Antonio Foganholi (Pardal), Carlinhos Baptistella, Luiz Carlos Trecenti, José Wilson Gomes, Chico Gordono e mais um montão de gente que cada um à sua maneira, contribuíram e contribuem para o esporte local. Muitos, ou a maioria, empresta seus conhecimentos em prol do esporte graciosamente, outros, entretanto, muito mais espertos, fazem, particularmente quando ocupam cargos de direção, um trampolim político ou usam a posição para sua ascensão pessoal. De toda a maneira, ou bem ou mal, o esporte é a forma mais rápida de se projetar o nome de uma cidade e, se Lençóis Paulista é hoje reconhecida internacionalmente, deve-se ao fato de esses desportistas terem se empenhado, quer na direção das equipes, quer competindo e trazendo medalhas e troféus para a nossa cidade. Atualmente temos outro esportes em evidência: O karatê e a capoeira têm se destacado nacionalmente. Essas modalidades têm caráter social eficiente tirando os jovens das ruas e afastando-os das drogas. Raphael Blanco é o professor responsável pelo karatê e os mestres Formigão, Tatu, Tempestade e Galo comandam a capoeira.
Miguel de Oliveira
Miguel de Oliveira, ex-campeão mundial de boxe , categoria dos pesos médios, nasceu em Lençóis Paulista no dia 30 de setembro de 1947. Ele é filho de Bento Carlos e de Alzira Carlos. O nome correto pugilista seria Miguel Carlos. Contudo, na hora de se efetuar o registro de nascimento, o antigo escrivão do Registro Civil, registrou-o como Miguel de Oliveira. Seus pais eram lavradores em Lençóis Paulista. No inicio de 1948, os pais de Miguel mudaram-se para a fazenda |geada e no municipuio de Agudos. Mais tarde, foram para São Manoel, onde o pai do campeão morreu. Desde aquela época Miguel e sua mãe passaram a morar em
Osaco/SP, onde ele reside até hoje. A ascensão de Miguel no boxe foi tão rápida que ele foi apontado como sucessor natural de Eder Jofre. das muitas lutas, Miguel teve quatro particularmente difíceis. Duas delas foram contra o campeão japonês Koischi Wagina, no Japão, sendo em ambas derrotado por pontos. A terceira foi na Itália contra José Luiz Duran que havia vencido a Koischi Wagina. Miguel venceu Duran arrancando-lhe o título de campeão do mundo. Em 1975, Miguel lutou em paris e perdeu o título para o filipino Elisha Obed. Atualmente o campeão mundial nascido em Lençóis Paulista ensina sua arte a muita gente importante. Entre os seu pupilos está o trio KLB.
Como tudo começou: Miguel foi convidado por sua tia a trabalhar e estudar na capital paulista. Conseguiu seu primeiro emprego na extinta fábrica de nylon Rio San, onde por ironia do destino havia uma academia de boxe destinada aos funcionários da empresa. Deslumbrado com a possibilidade de praticar boxe, após algumas visitas à academia, logo começou a treinar. Seis meses depois, Miguel de Oliveira disputou o campeonato promovido pela Gazeta Esportiva “Forja dos Campeões”, onde além de ser o campeão da categoria meio-médio-ligeiro, foi considerado o melhor atleta do torneio. A partir de então, o futuro campeão não parou mais de treinar e conquistou os principais campeonatos nacionais de boxe amador. Foi bicampeão paulista de boxe amador, bicampeão do Torneio dos Campeões, e bicampeão brasileiro. Miguel também passou a representar o Brasil nos principais eventos esportivos internacionais, marcando presença nos jogos pan-americanos de 1967 em Winnipeg no Canada. No final dos anos 60, o boxeador sentiu que já era hora de entrar no mundo do boxe profissional. Suas expectativas estavam certas. Em 1970, sagrou-se Campeão Brasileiro de Boxe, e dois anos mais tarde, já estava nos “rankings” da Associação Mundial de Boxe, e do Conselho Mundial de Boxe, já que na época existiam essas duas versões. Neste mesmo ano, Miguel chegou a vencer no ginásio do Ibirapuera o primeiro colocado do ranking da Associação Mundial de Boxe, o que lhe deu o direito de disputar o título mundial pela primeira vez. No dia 9 de janeiro de 1973, Miguel estava em Tóquio disputando o título mundial de boxe. Mesmo sendo derrotado, o brasileiro não desistiu e conseguiu revanche no ano seguinte. A segunda luta realizada em fevereiro de 1974 foi “muito mais disputada, infelizmente deram o título ao japonês por pontos” diz Miguel. O sonho de ser campeão mundial não se apagou. No ano seguinte, em maio de 1975, o brasileiro de São Manuel vai à Europa e vence no Principado de Mônaco o campeão europeu José Duran da Espanha, tornando-se campeão mundial pelo Conselho Mundial de Boxe. Miguel de Oliveira destacava-se por ser um meio-médio-ligeiro de soco potente, além de ser dotado de grande capacidade técnica. Segundo ele “são propriedades que nascem com o pugilista, mas claro que se deve aliar uma boa técnica com muita dedicação aos treinamentos”. Após encerrar sua carreira, o campeão não se separou do boxe. Como treinador, trabalhou com quatro pugilistas brasileiros. Os lutadores Francisco Tomás, José de Arimatea, José Adilson Rodrigues ( Magulila) e Ezequiel Paixão chegaram a disputar o título mundial, mas sem sucesso. Formado em educação física, Miguel começou a realizar um trabalho de introdução do boxe “recreativo” nas academias paulistas. Segundo ele; “o boxe recreativo é direcionado a pessoas que nunca iriam lutar boxe, mas o treinamento é utilizado para que meus alunos adquiram condicionamento físico, aprendam mais sobre defesa pessoal e o mais importante: serve como alívio do stress”. Um dos maiores pugilistas brasileiros, encerrou suas atividades com o impressionante cartel de 56 lutas, 50 vitórias (25 por nocaute), 5 derrotas e 1 empate.