Criogenia

A criogenia é um ramo da físico-química que estuda tecnologias para a produção de temperaturas muito baixas (abaixo de -150°C, de -238°F ou de 123 K), principalmente até a temperatura de ebulição do nitrogênio líquido ou ainda mais baixas, e o comportamento dos elementos e materiais nessas temperaturas sendo que a tecnologia usada explora os efeitos de transferência térmica entre um agente e o meio. Esse ramo da ciência que é constantemente associado com seu principal ramo, a criobiologia, que é o estudo de baixas temperaturas em organismos.Além das escalas de temperatura comuns, como Fahrenheit, Celsius e Kelvin, os criogenistas usam outras escalas de temperatura, como a de Rankine. Quando liquefeitos, gases como o nitrogênio e o hélio são usados em muitas aplicações criogênicas.

O nitrogênio líquido é o elemento mais usado na criogenia e é comprado legalmente em todo o mundo. O hélio líquido geralmente também é usado e permite atingir temperaturas ainda mais baixas.

Estes gases são presos em recipientes especiais conhecidos como frascos de Dewar, ou garrafas de Dewar, que têm aproximadamente 1.8 metros de altura e 90 centímetros de diâmetro, mas existem também os tanques gigantes em operações comerciais maiores. Os frascos de Dewar foram nomeados em homenagem ao seu inventor, James Dewar, o primeiro homem a liquefazer o hidrogênio.

Um outro uso da criogenia são nos combustíveis criogênicos. Estes, principalmente compostos de oxigênio e hidrogênio, são usados como combustíveis para foguetes. O comércio internacional de gás natural é praticado na sua forma criogênica, o gás natural liquefeito ou GNL.

Alguém já foi preservado por meio da criogenia?

Muitas pessoas estão armazenadas nas instalações de preservação criogênica. Provavelmente o mais famoso deles é a lenda do beisebol Ted Williams (leia história mais adiante). Porém ninguém foi revivido, pois a tecnologia para isso ainda não existe.

Os críticos dizem que empresas que fazem a preservação criogênica estão simplesmente enganando pessoas para ganhar dinheiro com a promessa de uma imortalidade que não podem oferecer. Até os cientistas que fazem a preservação criogênica dizem que não conseguiram reviver ninguém - e não esperam ser capazes de fazê-lo em um futuro próximo. Um dos problemas é que, se o processo de aquecimento não for feito exatamente na velocidade correta, as células podem congelar e explodir.

Embora as pessoas em suspensão criogênica não tenham sido revividas ainda, alguns organismos vivos já foram trazidos de volta da morte ou de um estado próximo da morte. Desfibriladores e ressucitação cardíaca trazem pessoas acidentadas e que sofreram ataque cardíaco de volta da morte praticamente diariamente. Os neurocirurgiões geralmente resfriam os corpos dos pacientes para que possam operar aneurismas - vasos sanguíneos aumentados no cérebro - sem danificá-los ou rompê-los. Os embriões humanos congelados em clínicas de fertilização, quando descongelados e implantados no útero da mãe crescem e transformam-se em seres humanos normais.  Os criobiólogos estão esperançosos que uma nova técnica chamada nanotecnologia torne possível reviver as pessoas algum dia. A nanotecnologia utiliza máquinas microscópicas para manipular átomos - as menores unidades de um organismo - para construir ou reparar virtualmente células e tecidos humanos. Espera-se que, algum dia, a nanotecnologia repare não somente os danos celulares causados pelo processo de congelamento, mas também os danos causados pelo envelhecimento e por doenças. Alguns criobiólogos prevêem que a primeira ressuscitação criogênica poderá ocorrer por volta de 2040.


Um rebatedor famoso congelado no tempo

Desde sua morte em 2002, a lenda do beisebol Ted Williams foi armazenada em um recipiente de aço inox de 3 m de altura na Alcor Life Extension Foundation, no Arizona, a maior instalação de preservação criogênica do mundo.

Porém a história não termina aqui. Após sua morte, o astro tornou-se alvo de uma bizarra batalha pela sua custódia. Sua filha, Bobby-Jo Williams Ferrell, brigou na justiça pelo direito de trazer o corpo de seu pai de volta de modo que pudesse cremá-lo e jogar suas cinzas em Florida Keys, como dizia ser o desejo dele. Ela acusou seu meio-irmão John-Henry Williams de querer preservar o corpo de seu pai para que pudesse ganhar dinheiro com seu DNA. Porém, John Henry e sua irmã Claudia disseram que assinaram um pacto com seu pai em 2000 prometendo congelar seu corpo. Finalmente os três chegaram a um acordo. Foi permitido que Ted Williams permanecesse onde estava e John-Henry prometeu não vender o DNA de seu pai.

Como funciona

Se você viu o filme "Austin Powers: um agente nada discreto" (1997), lembra que um agente secreto britânico foi congelado, depois que seu maior inimigo escapa em uma nave espacial. Ele é despertado quando o vilão volta a agir, em plenos anos 90 (após 30 anos congelado) e salva o mundo de uma destruição iminente.

A criogenia também aparece em filmes como, "Sleeper" (1973), "2001: uma odisséia no espaço" (1968) e "Eternamente Jovem" (1992). Esses filmes mostram apenas pura ficção de Hollywood ou será que esse tipo de situação é possível?

A ciência por trás da idéia existe: é chamada de criogenia - estudo dos sistemas em baixas temperaturas. A preservação criogênica - técnica utilizada para armazenar corpos humanos a temperaturas extremamente baixas com a esperança de revivê-los - está sendo utilizada atualmente, porém a tecnologia ainda está engatinhando.

O que é preservação criogênica?

A preservação criogênica é a prática de conservar corpos humanos em temperaturas extremamente baixas com a esperança de revivê-los no futuro. Uma pessoa preservada deste modo estaria em suspensão criogênica. Para entender a tecnologia por trás da preservação criogênica, pense nas histórias que ouviu sobre pessoas que caíram em lagos congelados e que ficaram submersas por até uma hora na água gelada antes de serem resgatadas. Aquelas que sobreviveram o fizeram porque a água gelada colocou seus corpos em um tipo de animação suspensa, diminuindo seus metabolismos e funções cerebrais a um ponto em que quase não necessitavam de oxigênio. A preservação criogênica é um pouco diferente. Antes de tudo, é ilegal fazer a suspensão criogênica em pessoas que ainda estão vivas. As pessoas que passam por este procedimentos devem antes ser consideradas legalmente mortas. Mas se estão mortas, como poderão reviver? De acordo com os cientistas que fazem a preservação criogênica, "legalmente morto" não é o mesmo que "totalmente morto". A morte total, dizem, é o ponto em que todas as funções cerebrais cessam como na morte cerebral. A morte legal ocorre quando o coração pára de bater, porém permanecem algumas funções das células cerebrais. A preservação criogênica preserva a função remanescente das células de modo que, teoricamente, a pessoa pode ser ressuscitada.

Como é feita a preservação criogênica?

Se você decidir ser colocado em suspensão criogênica, o que vai acontecer? Bom, primeiramente você deve se associar a uma instalação de preservação criogênica e pagar uma taxa anual (aproximadamente US$ 400 por ano). Então, quando seu coração parar de bater e você for declarado "legalmente morto", uma equipe de emergência entrará em ação. A equipe instalará um tratamento de suporte para manter o corpo vivo, fornecendo a você oxigênio suficiente para preservar uma função mínima até que você possa ser transportado para a instalação de suspensão. Seu corpo é embalado em gelo e é injetada heparina (um anticoagulante) para impedir que seu sangue coagule. Uma equipe médica aguarda a chegada de seu corpo na instalação de preservação criogênica.

Uma vez que você esteja na instalação de preservação criogênica, então tem início o "congelamento" real. As instalações de preservação criogênica não podem simplesmente colocar seus pacientes imersos em nitrogênio líquido, pois a água dentro de suas células congelaria. Quando a água congela, expande-se e isso faria com que as células simplesmente estourassem. A equipe de preservação criogênica deve, primeiramente, remover a água de suas células substituindo-a com uma mistura química à base de glicerina chamada de crioprotetor - um tipo de anticongelante. O objetivo é proteger os órgãos e tecidos da formação de cristais de gelo a temperaturas extremamente baixas. Este processo, chamado de vitrificação (resfriamento profundo sem congelamento), coloca as células em estado de animação suspensa.

Uma vez que a água de seu corpo é substituída pelo crioprotetor, seu corpo é resfriado em uma cama de gelo seco até que atinge -130ºC, completando o processo de vitrificação. O próximo passo é colocar seu corpo em um recipiente individual que então é colocado em um grande tanque de metal com nitrogênio líquido a uma temperatura de aproximadamente - 196ºC. Seu corpo é armazenado de cabeça para baixo, de modo que se houver um vazamento no tanque, seu cérebro continuará imerso no fluído refrigerante.

A preservação criogênica é cara, podendo custar aproximadamente R$ 320 mil. Mas para os futuristas mais econômicos, R$ 105 mil poderiam preservar somente o cérebro para sempre – uma opção chamada de neurosuspensão. Com sorte, para todos que se preservarem desta maneira, o avanço tecnológico oferecerá uma maneira para clonar ou regenerar o resto do corpo.

Se você optar pela suspensão criogênica, espere por companhia. Vários corpos e/ou cabeças são normalmente armazenados no mesmo tanque de nitrogênio.

Recipiente projetado para conter até quatro corpos e seis cabeças de pacientes imersos em nitrogênio líquido a -196ºC. O nitrogênio líquido é adicionado periodicamente para substituir uma pequena quantidade que evapora.

A história da preservação criogênica

A primeira pessoa a ser congelada criogenicamente foi um psicólogo de 73 anos, Dr. James Bedford, suspenso em 1967. Dizem que seu corpo ainda está em perfeitas condições na Alcor Life Extension Foundation.


A idéia de que uma pessoa possa ser congelada e depois trazida de volta à vida quando a tecnologia tiver evoluído, originou o livro "The Prospect of Immortality," escrito pelo professor de física Robert Ettinger em 1964. A palavra "criogênico" deriva do termo grego para "frio".


No final dos anos 70, existiam seis empresas de preservação criogênica nos Estados Unidos. Porém, preservar e manter cada corpo era tão caro, que muitas empresas fecharam no fim dessa década.


Atualmente, poucas empresas oferecem serviços completos de suspensão criogênica, incluindo a Alcor Life Extension Foundation no Arizona e o Cryonics Institute em Michigan. No início de 2004, a Alcor tinha mais de 650 membros e 59 pacientes em preservação criogênica.

O que é criogenia humana?

Por Alexandre Versignassi - É a técnica de manter cadáveres congelados anos a fio para ressuscitá-los um dia. Hoje, isso já dá certo com embriões: óvulos fecundados podem ficar na "geladeira" com chances boas de sobreviver a um descongelamento - estima-se que perto de 60% deles conseguem vingar, dando origem a um bebê. Por isso, um bocado de gente acredita que isso ainda vai funcionar com seres humanos inteiros. Até agora, cerca de 100 pessoas já foram congeladas depois da morte e esperam por vida nova no futuro.


A idéia é fantástica: você morre e os médicos o colocam num tanque de nitrogênio líquido, guardado a -196 ºC, temperatura em que o cadáver não apodrece. Aí, daqui a uns 500 anos, os cientistas descobrem um jeito de combater a doença que causou sua morte e o degelam. Uma beleza, né? Mas o processo não é tão simples. "Os próprios métodos usados para congelar uma pessoa causam danos às células que só poderiam ser reparados por tecnologias que ainda não existem", afirma o físico americano Robert Ettinger, considerado o grande divulgador da criogenia. Por enquanto, o congelamento não funciona com pessoas porque o líquido que compõe as células vira gelo, aumentando de tamanho e fazendo-as trincar. Com os embriões congelados, esse efeito é evitado com a aplicação de substâncias químicas que driblam a formação de cristais de gelo, impedindo que as paredes celulares se danifiquem. "Mas com os seres humanos desenvolvidos o problema é que cada tipo de célula exige uma substância protetora diferente, e muitas delas ainda não foram inventadas", diz o ginecologista Ricardo Baruffi, da Maternidade Sinhá Junqueira, em Ribeirão Preto (SP), um especialista em congelamento de embriões. Quer tentar a sorte mesmo assim? Então é melhor se mudar para os Estados Unidos, porque as duas únicas empresas no mundo com estrutura para receber novos "pacientes" ficam lá. E, se você quiser levar um bichinho de estimação para não se sentir muito sozinho daqui a 500 anos, sem problemas. Dez gatos, sete cachorros e até um papagaio já entraram nessa fria com seus donos.

A um passo da eternidade


Congelar um corpo é fácil. O que os cientistas não sabem ainda é como ressuscitá-lo


1. Assim que uma pessoa morre, um funcionário da empresa de criogenia resfria o cadáver com gelo. Nessa fase, a temperatura do corpo fica pouco acima de 0 ºC. Não é muito frio, mas é o suficiente para evitar, por algum tempo, a proliferação das bactérias que iriam apodrecer o cadáver


2. Nessa fase, o corpo também recebe uma injeção de substâncias anticoagulantes, para manter os vasos sanguíneos desobstruídos. Depois, todo o sangue é bombeado para fora e no lugar entram substâncias químicas que protegerão as células na hora do congelamento, evitando a formação de parte dos cristais de gelo, que rompem a estrutura celular


3. No local em que o corpo vai ser congelado, o cadáver passa por um resfriamento gradual, em uma câmara de gelo seco. Para evitar danos às células, a intenção é que todos os tecidos se congelem no mesmo ritmo. Todo o processo ocorre de maneira lenta e pode durar dois dias, quando a temperatura do corpo chega a -79 ºC


4. Depois do resfriamento, o corpo é submergido lentamente em um tanque de nitrogênio líquido, até ser totalmente coberto. Quando essa fase termina, após uma semana, o cadáver está a -196 ºC, impedido de apodrecer. Ele fica no tanque por toda a eternidade - ou até que alguém invente uma tecnologia para ressuscitá-lo


Os rumores foram fortes nos anos 60, mas não passam de lenda urbana


Não, o corpo do criador do Mickey não está congelado. Tudo indica que os boatos de que o cadáver de Walt Disney virou um picolé criogênico não passam de lenda urbana. A versão oficial é que o desenhista e empresário foi cremado logo após sua morte, em 1966. Mas, na época, o funeral reservado e o fato de a criogenia estar na ordem do dia, com o sucesso do livro A Prospect of Immortality ("Uma Perspectiva de Imortalidade", inédito no Brasil), de Robert Ettinger, alimentaram a especulação. Outro fato impulsionou a lenda: a primeira experiência criogênica humana ocorreu apenas um mês após a morte de Disney, quando o cadáver do norte-americano James Bedford foi congelado.

 

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Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Criogenia
           http://ciencia.hsw.uol.com.br/criogenia4.htm
           http://mundoestranho.abril.com.br/ciencia

 
 

 

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