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07 DE SETEMBRO DE 2009, 117 ANOS DA
FAMÍLIA BORIN NO BRASIL
Ramos familiares:- BORIN, BIASI, BLANCO E PIOVESANO
ARCANJO BORIN
O BATISMO
Arcanjo Borin nasceu na comune (município) de Chiarano, Treviso, norte da Itália. Chiarano está localizada a quarenta quilômetros a noroeste do golfo de Veneza.
Seus pais Appostolo Borin e Elisabetta Montagner eram contadinos (camponeses). Nascido em 03 de novembro de 1861, foi batizado em 05 de novembro de 1861, sendo seus padrinhos Arcangelo Smiaget , da cidade de Cessalto e Caterina Saran da cidade de Chiarano.
Observe que seu pai Appostolo homenageou o padrinho de Arcangelo com seu nome.
O PRIMEIRO CASAMENTO AINDA NA ITALIA
Camponês, mais tarde e em meio a grande fome que assolava a Itália e grande parte da velha Europa, onde o que produziam dava apenas para passar pouco mais de um semestre, em 23 de dezembro de 1888, Arcangelo com 27 anos, casou-se na comuni de Chiarano/ TV com uma moça chamada Virgínia Brugnera, ela com 21 anos.
FRUTO NA ITALIA
Três anos se passaram e o casamento de Arcangelo e Virgínia deu frutos, a pequena Caterina. (Coincidência pois era o nome de sua madrinha de batismo)
RUMO AO BRASIL
Em 1892, Arcangelo, sua esposa Virgínia e a filha de 09 meses, Caterina, acompanhados de seus sogros Francesco Brugnera e Rosa Batisttiol, e uma cunhada de nome Albina com 14 anos à época, partiram pelo golfo de Veneza no navio a vapor de nome América.
Rumaram ao Brasil em busca de uma terra de progresso em que as pessoas tinham trabalho, comida, esperança e a promessa do governo por um pedaço de terra. Além disso, o governo brasileiro à época custeava a viagem.
O América era um navio a vapor de três chaminés (três caldeiras), que foi batizado com este nome em sua construção na Itália. Após longas viagens intercontinentais o América foi vendido em 1892 para uma grande operadora nos Estados Unidos. (Pesquisa The Greats Naves)
CHEGADA AO BRASIL
Em 07 de setembro de 1892, no porto de Santos, chegam Arcangelo e sua familia. De Santos partiram de trem no mesmo dia para a hospedaria dos imigrantes, hoje museu do imigrante localizado no bairro do Brás em São Paulo.
Nos autos da Certidão de Desembarque consta o destino da família: Fazenda de Francisco Pires em Laranjal Paulista, e para lá seguiram também de trem.
A FAZENDA
Em 2001, tive a oportunidade de visitar a Fazenda Santo Antônio em Laranjal Paulista. Até hoje resiste forte a Colônia dos Imigrantes, bem como a mina d’água para beber, lavar roupas e retir água.
Nos idos de 1800 até a presente data a fazenda pertence a Família Lúlia, descendentes de Libaneses, cujo descendente ilustre é Michel Temer Lúlia, Senador da República.
Na pesquisa, descobri que Francisco Pires foi um capataz, que remanescente da época dos escravos, passou a liderar os imigrantes italianos após a abolição.
A MORTE DE VIRGINIA
Passados 08 meses no Brasil, residindo na Região de Tietê, município que abrangia o então distrito de Laranjal Paulista, Virginia faleceu.
Notas da época falam da peste negra que quando não matava no navio, permanecia incrustada na pessoa e a levava alguns meses depois.
Sobre Caterina, não posso afirmar se faleceu ou foi criada pela família Brugnera que até hoje tem descendentes no distrito de Laras em Laranjal Paulista, pois não consegui encontrar qualquer certidão lavrada em livros da época.
Em conversa com Francisco Brugnera, bisneto de Francesco e Rosa, sogros de Arcângelo, há indícios de que Caterina tenha sido criada pelos avós, porém não oficial.
Arcangelo permaneceu sozinho, viúvo por algum tempo.
A SEGUNDA ESPOSA DE ARCANGELO - ANGELA MARINA DARÉ
Angela Marina Daré nasceu em 1867 na comuni de Marino di Piave, mesma região que Arcangelo, porém não se conheceram na Itália.
Mais tarde, Angela conheceu e casou-se com Pietro Biaggio naquele mesmo município italiano.
Em 1888, mesmo ano da abolição da escravidão, o casal imigrou para o Brasil acompanhados de três irmãs de Pietro (Luiggia, Tereza e Maria), além da pequena filha do casal de nome Maria Pedrina.
Segundo revelou a pesquisa, o casal pouco sabia sobre o Brasil. Pietro pensava que seus parentes que imigraram anteriormente, haviam se fixado na cidade de Cerquilho, SP. Pensava que haviam enriquecido, comprado terras e cultivado fazenda.
No caminho, ainda no navio Angela Marina que estava grávida deu a luz há 02 meninos (gêmeos), porém um faleceu e foi atirado ao mar devido a suspeita da peste negra. O filho que sobreviveu, Antonio, ainda teria um irmão de sobrenome Biaggio que nasceria no Brasil.
Chegando ao Brasil, não conseguiram localizar a família Biaggio.
Nestas condições, Angela Marina Daré que já tinha irmãos morando em uma fazenda chamada Santo Antônio no distrito de Laranjal Paulista, resolveram partir para lá.
Quatro anos mais tarde, em 1892, mesmo ano da chegada de Arcangelo Borin ao Brasil, Angela Marina ficou viúva, pois Pietro foi contagiado pela peste negra pôr outros imigrantes que trouxeram a doença para a colônia.
Atualmente em Cerquilho (visitei em 2009), existe uma grande família Biasi, oriundos da Itália, cujo principal negócio é uma industria de alho (compra, embalagem e venda regional)
A FORMAÇÃO NO NOVO CASAL
Arcangelo Borin, viúvo, sozinho e morando na Fazenda Santo Antônio , cruzou destinos com Angela Marina Daré, também viúva e abraçada a seus três filhos de sobrenome Biasi ( Maria Pedrina, Antonio e João)
No Brasil o sobrenome Biaggio passou a ser escrito Biasi.
O casamento de Arcangelo Borin e Angela Marina Daré foi realizado na Igreja da Paroquia da Santíssima Trindade da cidade de Tietê, no dia 16 de julho de 1893.
A GRANDE FAMILIA
Com o tempo a união de Arcangelo e Ângela deu frutos. Família esta que já reunia os três filhos de Pietro Biaggio como enteados, porém Arcângelo os tratava como verdadeiros filhos. Vieram:
- Virgínia Borin , 1897
- Ângelo Borin, 1900
- Elisa Borin, 1901
- Henrique Borin , 1910
- Maria Carlota Borin, 1911
- Constante Luiz Borin, 1913 (meu avô)
De Laranjal Paulista a família migrou para as cidades de Aparecida de São Manuel e fixou-se em Lençóis Paulista em 1912, lugar onde alguns permanecem até hoje.
Arcângelo faleceu no bairro cachoeirinha em Lençóis no ano de 1927, matando um porco que seria vendido a um médico local.
Ângela Marina faleceu em 1943, também em Lençóis Paulista.
HISTORIA CONTADA
Vivenciado por Joana Biasi Castelhano, neta de Arcangelo ainda viva e lúcida, apesar de seus 88 anos. (entrevista realizada em 2001, Joana faleceu no ano de 2006)
“ Arcangelo era um homem pequeno, branquinho de olhos azuis. Gostava muito de beber vinho e andava de chinelo de barbante (comum naquela época).
Acordava todos os dias as 4:30 da manhã, fazia o café e levava-o na cama para Angela Marina. Depois disso ia lavar o rosto no riacho mesmo já havendo torneira, pois assim preferia.
Rotineiramente via-se ele descendo até o riacho em mesmo horário.
Após lavar o rosto, molhava a horta e colhia um cravo, sua flor preferida, que levava a Angela Marina e dizia : _ Marina , um cravo pra você !!!!!
Imaginem a cena.
Outras histórias e dados sobre a família Borin hoje serão escritos em outra oportunidade
Pesquisa feita Cristiano Borin
Bisneto de Arcângelo, Neto de Constante, 2001


