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Igreja Universal do Reino de Deus - Parte 1

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Igreja Universal do Reino de Deus

Você daria um presente com o valor de um real para alguém? E para Deus?”Pastor Israel. Vendendo a alma a Deus - Todo mundo sabe que vender a alma para o diabo não é um bom negócio. Você está na pior, endividado, passando fome e sem perspectivas. O demônio surge lhe oferecendo uma melhora de vida substancial, dinheiro vivo, mulheres em abundância, casa, piscina e champagne liberado em troca de uma única assinatura.Você assina, mal sabendo que acaba de vender sua alma ao demônio, e que só vai reencontrá-la no inferno. Menos mal que ainda tenha toda a vida terrena para aproveitar, antes de passar o resto da eternidade em algum círculo de Dante.Agora imagine se ao invés de lhe dar prontamente uma vida melhor, o diabo pedir um sacrifício, uma doação espontânea e de coração, de uma quantia em dinheiro que certamente irá lhe fazer falta. Você resiste, mas ele bate o pé e diz que este é o desafio que terá de cumprir se quiser ter um retorno material abundante. Soa como um absurdo? Pois é assim que o Deus da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) concede graças aos fiéis. Ele cobra, determina prazos, afirma que se o desafio for mantido, sua vitória será inevitável e nada ficará no seu caminho. “Arrasador”, murmura ele ao pé do ouvido. Tudo bem, você diz. Afinal, Deus é Deus, dá pra confiar. O problema é que nos cultos da Igreja Universal do Reino de Deus não é ele quem fala, mas gente de carne e osso. São os pastores que pedem seu dinheiro, tentam convencê-lo que as notas guardadas no seu bolso são sujas e não lhe pertencem. Abra mão delas e o caminho da salvação se lançará a sua frente. Diluídos na massa de fiéis, todos são cobrados igualmente, convocados a provar sua fé mediante pagamento à vista. E a maioria paga. À vista dos olhos atentos do pastor.

O Império da Fé
A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) foi fundada em 9 de julho de 1977 no Rio de Janeiro pelo Sr. Edir Macedo, então pastor da igreja evangélica Nova Vida. Dez anos depois de se converter ao pentecostalismo, Macedo abandonou a igreja, abriu oficialmente as portas da IURD em um pequeno local do subúrbio carioca e se autoproclamou bispo. Nos primeiros anos de culto sua igreja apenas sobrevivia, até que uma fiel vendeu um terreno e doou o dinheiro para os cofres da igreja. Edir Macedo usou o capital para comprar 10 minutos diários na rádio Metropolitana.

A palavra de Edir Macedo propagada pelas ondas de rádio logo daria início à igreja que atualmente mais cresce no mundo. Quase trinta anos depois do primeiro culto, o fundador da Universal é dono de dois jornais com tiragem superior a um milhão de exemplares, trinta rádios e uma rede nacional de tv. Cerca de seis milhões de fiéis freqüentam as reuniões em algum dos mais de dois mil templos espalhados por todo o país, e nas últimas eleições trinta e quatro deputados se elegeram sob a tutela da IURD.

Em Porto Alegre fica a sede estadual da IURD no RS, conhecida como Templo Maior ou Catedral da Fé. Além deste, há muitos outros espalhados pela cidade. Há sedes regionais, que se localizam nos principais bairros de Porto Alegre e coordenam as igrejas locais, que atendem comunidades pequenas e localizadas. Todos os templos da cidade respondem à sede de Júlio de Castilhos, e este à sede nacional, a Catedral da Fé em São Paulo. Há ainda uma sede mundial, em Del Castilho, no Rio de Janeiro, para qual todos os templos do mundo devem prestar contas, direta ou indiretamente.

A Igreja Universal é um fenômeno inegável e sua crescente influência política e midiática tem papel fundamental na disseminação da igreja por todo o Brasil e o mundo. Mas as transmissões pelas tvs, os pronunciamentos de rádio e os textos nos jornais não dizem mais do que uma ínfima parte do que realmente significa ser fiel da Universal. Ter a fé verdadeira, a “fé inteligente” são conceitos que o público só conhece quando entra nos templos em horário de culto.

A “fé inteligente” é uma expressão cunhada por Edir Macedo, que significa uma crença que não se baseia no emocional, mas em uma força sobrenatural apoiada por experiências reais. Nos cultos e na tv é comum o pastor se referir ao público pedindo-lhe para não se deixar mover pelo sentimento, demonstrando assim “atitudes de fé verdadeira”. Em boas palavras, assinar um cheque de 1000 reais no momento em que o pastor pede, com a consciência do retorno garantido daquele dinheiro multiplicado pelo tamanho da fé com que foi depositado, é um belo exemplo de uma atitude assim. Há uma estranha inversão de parâmetros aqui, quando normalmente o que deve impedir uma pessoa de doar seu dinheiro espontaneamente para fundos escusos é a razão, os pastores dizem que é a emoção, o que confere um ar de irracionalidade ao indivíduo que prefere ficar com o próprio dinheiro.
Para compreender este e outros conceitos, os pilares de pregação da IURD, os meios pelos quais a Universal age e cresce tão vertiginosamente, não é recomendado ficar parado. Se a IURD ganha mais terreno a cada dia, é porque tem dinheiro para se expandir, se tem dinheiro, é porque as pessoas doam, e se doam mesmo passando por toda sorte de dificuldades na vida, tem de haver um motivo. Fui à sede de Júlio de Castilhos nos dias de maior movimento e pude olhar nos olhos dos desesperados e necessitados que oram, clamam e dão tudo o que têm para abastecer os cofres dos templos.

 
Aula de Marketing com a Universal - Um dos diferenciais da Igreja Universal é a realização de cultos segmentados. Cada dia da semana é destinado a atingir um público. Nas palavras do pastor Maurício, “é para permitir que todos alcancem Jesus. Se não fizéssemos cultos para cada grupo, atingiríamos sempre o mesmo público, deixando de lado os que precisam de uma reunião mais voltada às suas necessidades”. O Congresso Empresarial é uma reunião voltada para comerciantes, empresários e pessoas com problemas financeiros em geral. Acontece na segunda-feira sob os cuidados do pastor Israel e é altamente propagandeado durante todo fim de semana pelos canais da Universal. No culto, Israel guia as orações dos 318 pastores presentes, determinando a vitória e o sucesso financeiro da platéia.

Era segunda-feira, entrei um pouco acuado pelo tamanho da estrutura interna do templo. Ao chegar, há uma espécie de lobby, uma ante-sala onde os freqüentadores conversam entre si ou recebem orientações dos pastores antes do início do culto. Ali ficam portas de vidro para o local real de celebração, uma enorme sala com incontáveis fileiras de bancos dispostos em conjuntos que cortam a sala verticalmente, todas obviamente de frente para o altar, que fica elevado a pouco mais de um metro e meio do chão. Cinco mil assentos compõem o espaço para o público.

Às sete o movimento parecia fraco, mas o congresso empresarial é dia de casa cheia. Aos poucos chegam os fiéis, alguns de terno, carregando maletas, vindos direto do trabalho. Outros mais à vontade, vestindo roupas casuais e acompanhados da mulher e por vezes dos filhos. Antes do início do culto, os pastores correm as fileiras, parando para conversar com aquele senhor com cara de comerciante, o marido cheio de dívidas na loja ou a mulher com jeito de empresária. Neste dia, o público se distingue por ser mais bem arrumado, é a nata da Universal. Sentado, vendo a dedicação das centenas de pastores em ceder seu tempo e sua lábia para aconselhar os presentes, não é difícil de perceber que o congresso é um dia especial para a Universal.

Sete e meia em ponto começa o show. A multidão aglomerada nos lugares próximos do altar, cerca de três mil distribuídos pela igreja, se levanta e começa a bater palmas para a entrada triunfal do pastor, que chega aos gritos de “Palmas para Jesus!”. Israel fala alto no microfone, gesticula com força, se move constantemente e impõe-se de forma admirável, sua presença de palco é digna de um líder das massas. Nas palavras do próprio: “Se eu entrar aqui murcho, desanimado, fazer uma reunião monótona alguém vai me respeitar? Alguém vai acreditar que Jesus está em mim?”

Há algum tempo circula na Internet um vídeo gravado por um ex-pastor em que e o Bispo Macedo orienta um grupo de pastores sobre como devem atuar. Você não pode baixar a cabeça, diz ele, tem que ser um herói para o povo. E na igreja universal os pastores são mesmo ídolos, astros respeitados e obedecidos, porta-vozes inquestionáveis da palavra de Deus. A necessidade de reforçar a autoridade sobre o fiel é visível durante todo o culto. “Tá ligado?”, o pastor grita, sempre no fim de uma afirmação, ao que o público responde com dois aplausos, demonstrando atenção e obediência.

“É certo gente, a pessoa vir ao culto todos os dias, orar, participar da reunião e não ofertar?”
Não! O coro foi emblemático. Os fiéis sabem, estar na Universal e não ofertar não é certo, mas ir aos cultos e não dizimar é o mesmo que enxugar gelo no sereno. Não funciona. O público é lembrado a toda hora da importância de ofertar, pois é dando que se recebe. Recebe bênçãos. O dinheiro deve ser usado na sustentação da obra de Deus, além de servir de prova de fé. Quem se sacrifica, dando seu dinheiro à Igreja, o faz para provar que acredita no poder de Deus. E crê que ele vai mudar sua vida, para melhor. “Cada trocado será dobrado”, diz o pastor sempre, anunciando o melhor negócio do século, trocar dinheiro por mais dinheiro.

Ao contrário do que acontece na igreja católica, a bênção prometida a quem participa ativamente da reunião da Universal e oferta sempre que possível não é de ordem espiritual. A grande vantagem da IURD sobre as demais religiões cristãs é a promessa do retorno garantido de suas preces ainda na terra. É muito raro ouvir pregações sobre a salvação espiritual ou o fim dos dias nos templos da Igreja de Edir Macedo. Pelo contrário, os pastores sempre pedem ao fiel que desafie Deus a tirá-lo da miséria imediatamente.

Há um momento do culto de segunda-feira em que os 318 pastores se reúnem em cima do altar, e aos gritos, de olhos e punhos cerrados, convocam o público a gritar com Deus. O enorme templo vibra com a exasperação das pessoas em furor. De todos os lados se ouvem gritos de ódio e de súplica. Ao meu lado, em um dos três congressos empresariais que visitei, havia um senhor que gritava: “quero parar de sofrer! Não agüento mais ser humilhado! Minha empresa não anda, minhas dívidas não acabam!”

O desespero das pessoas que freqüentam a Universal é evidente, um outro senhor segurava trêmulo o envelope do dízimo vazio enquanto o pastor pedia que os fiéis fossem entregar sua parte. Três é o número de vezes em que se pede dinheiro em um dia normal de culto na Universal. Logo no início, é requisitado o dízimo. Dez por cento de tudo que o fiel tiver conseguido durante a semana. Nos seis dias em que freqüentei a igreja, de 60 a 70% do público foi com o envelope na mão em direção ao altar, confirmando a situação de dizimista.

No congresso empresarial, cada vez que o pastor pede uma oferta espontânea além do dízimo, uma outra multidão atende ao pedido. É difícil de acreditar mas Israel sempre começa a rodada pedindo uma doação de mil reais ao público. Normalmente uma ou duas pessoas assinam um cheque na hora e entregam a quantia ao pastor. Em seguida o teto fica mais baixo; 500, 400, 300, 200, no final o pastor aceita qualquer moeda, mas não sem antes ter garantido muito dinheiro para a obra de Deus. Ao meu lado um pai de família assinou um cheque de 200 reais, sem hesitar. Israel grita, estimulando os fiéis a darem tudo que possuem consigo “Eu sei, senhor Jesus, que isso é uma vergonha, mas um real é tudo o que eu tenho! E eu vou te dar, porque eu quero que essa situação mude, não quero mais ser esse derrotado, andar com essa miséria na carteira! Eu quero vencer!”.

O segredo da universal é tratar dos males terrenos oferecendo soluções terrenas, dinheiro para quem precisa de dinheiro, família para quem precisa de família. E principalmente em atribuir as desgraças e infortúnios das pessoas a fatores externos, eximindo-as de qualquer culpa. Os fiéis da universal são pobres coitados, pessoas que precisam de ajuda, mas que não admitem ter cometido erro algum a não ser o de ter dado abertura a encostos pela falta de fé. O público é dominado, assiste a um espetáculo regido pelos pastores, um show convincente, com sessões de exorcismo semanais e testemunhos de fiéis bem sucedidos.

A Universal cresce pois usa a linguagem do povo. E em um mundo regido pela cruel lógica do mercado, talvez não seja tão absurda a idéia de pagar pelas bênçãos de Deus. A IURD é uma empreitada bem organizada, os cultos são segmentados para garantir o fluxo de dinheiro diário de cada público, jovens, empresários, solitários, desesperados e famílias. O segredo do sucesso da Igreja Universal do Reino de Deus é oferecer pronto atendimento às necessidades do povo, ao invés de fazê-lo trilhar por caminhos tortuosos rumo a uma salvação espiritual abstrata e distante da realidade que envolve os fiéis. Quando perguntado sobre o crescimento da Universal, o pastor Maurício me respondeu: “Nós somos os únicos que ouvimos o clamor do povo”. Não deixa de ser verdade.

O charlatanismo e a acumulação primitiva do capital
Há uma coisa interessante no primeiro dia de transmissão da Record News. O autoproclamado bispo Edir Macedo está, finalmente, sendo chamado pelo que é: “dono da emissora”. No país do surrealismo, ninguém vai perguntar de onde ele tirou tanto dinheiro, não é mesmo? Qual é a fonte primitiva de recursos do "bispo"? Eu intuo que seja a Igreja Universal do Reino de Deus — que goza de isenções fiscais, como todo mundo sabe.

Esse mercador de exorcismos — sua igreja continua imbatível na tarefa de tirar o demônio do corpo de iletrados — foi longe, não é? Sua igreja é uma potência:
- milhares de templos no Brasil e 700 em outros países;
- a Rede Record de Rádio e TV;
- editora;
- jornal;
- selo de CDs:
- produtora de vídeos;
- e agora a tal Record News, a emissora de jornalismo 24 horas.

Ah, claro: ele também é dono de um partido político. Na estréia da Record News, o mantra: “a primeira emissora só de notícias de graça”. A referência é a GloboNews, que é TV a cabo — só para assinantes, portanto.

A democracia brasileira permitiu que o charlatanismo eletrônico fosse confundido com liberdade religiosa. E aí está a acumulação primitiva do capital que permitiu a criação de um império. Chamam a isso de "democratização da informação".

A Ira Santa

Se você que está começando a ler este post, frequenta a igreja citada no título do post e já se tornou um fanático, ou digamos, um fervoroso defensor de suas doutrinas, devo alertá-lo que ler este texto até o final poderá destruir sua "fé" ou despertar sua ira contra minha pessoa.

Lendo a reportagem da Veja desta semana chamada Dinheiro a jato , eu não tive como resistir, precisei escrever isso.

Começo destacando alguns trechos:

Macedo tem uma biografia comparável à de grandes magnatas que ergueram impérios começando do zero. No seu caso, mais precisamente, a história começa nas dependências de uma modesta funerária, num subúrbio carioca, onde instalou o primeiro salão de sua igreja. Hoje, os templos da Universal – catedrais da fé, como são chamados – são construídos como palácios de mármore e granito. O de Belo Horizonte, inaugurado há um ano e orçado em 50 milhões de reais, tem 28 000 metros quadrados, lugares para 5 000 fiéis, 255 vagas no estacionamento para carros e ônibus, heliponto, hotel para bispos e pastores, berçário e lojas. Modelos parecidos funcionam ou estão sendo erguidos em todas as grandes cidades do país e em algumas do exterior. Como shoppings, são guardados por seguranças que evitam a entrada de mendigos ou gente muito malvestida.

Primeiro ponto: os pastores enchem a boca ao fazer seus teatros, quero dizer, pregações ao dizer que Deus ajuda, e isso e aquilo, e que eles também ajudam quem precisa. Se isso é verdade, por que manter mengidos ou gente malvestida fora? Deveriam fazer justamente o contrário, convidá-los a entrar, fornecer condições para uma higiene mínima, uma roupa, comida e depois sim, levá-los ao culto.

A vida de Macedo naturalmente mudou muito com o crescimento dos negócios. De uma temporada de onze dias na cadeia, em 1992, acusado de charlatanismo, estelionato, evasão de divisas, contrabando e curandeirismo, o ex-funcionário da Loteria do Estado do Rio de Janeiro evoluiu para uma rotina que mistura as atividades de um alto executivo globalizado às atribulações de astro mundial. Sua base fica na cidade americana de Atlanta, terra da CNN, da Coca-Cola e de um canal de TV dirigido à comunidade hispânica, recém-adquirido pela Universal. No púlpito da igreja local, o bispo ensaia as pregações que repete mundo afora em eventos que chegam a reunir mais de 10 000 fiéis. Seus deslocamentos ocorrem a bordo de um jato Global Express para oito passageiros e com autonomia de vôo de 12 000 quilômetros (São Paulo a Moscou sem escalas, por exemplo), avaliado em 50 milhões de dólares. No Brasil, usa também um Cessna Citation X, o mesmo que carregava as malas do bispo João Batista na semana passada.

Segundo ponto: dez milhões de reais foram doados em um dia especial. Tá bom, não consigo mentir tanto ao ponto de dizer que acredito. E mais, charlatanismo, foi esse um dos crimes que o colocou na cadeia (mesmo que por pouquíssimo tempo).

a Igreja Universal tem um patrimônio e um faturamento de causar inveja aos mais bem-sucedidos empresários do mundo.O maior desses negócios é a Rede Record de Televisão, comprada por 45 milhões de dólares há quinze anos e hoje avaliada em quarenta vezes mais. O grupo possui também editoras, jornais, emissoras de rádio e uma financeira, entre outros negócios, além de 5 000 templos próprios, em oitenta países.Mais de 15 000 pastores e 100 000 auxiliares, chamados obreiros, cuidam da administração desse parque produtivo e, principalmente, da arrecadação de contribuições financeiras de 2,5 milhões de fiéis. A receita anual do grupo Macedo é estimada em 3 bilhões de reais.

Terceiro ponto: Tanto dinheiro e tantas pessoas com fome, incluindo os mendigos e malvestidos citados no primeiro ponto.

É difícil continuar a escrever este texto, ser ser grosso, mas vamos em frente. Os cultos são bem elaborados, existe todo um clima extremamente propício para induzir as pessoas a aceitarem as palavras ditas pelo pastor. A música, a luz, os gestos, a multidão, tudo isso é capaz de alterar o seu subconsciente. Para mentes fracas, ou desesperados essa é a muleta que os ajudará a andar novamente. Depois de dar os primeiros passos, abandoná-la não é mais uma opção e em pouco tempo a mínima frase que possa ser contrária a muleta, é motivo para uma exaltação sem precedentes.

Eu não sei se chamo de ingenuidade ou burrice, o ato de dar dinheiro para um cara que está fazendo um showzinho de baixa qualidade e lavando sua mente. Sabe quem mais fala no demônio? Não, não são seus adoradores. É o povo do suposto "bem". A cada dez palavras, uma será a que começa com "d". Isso é coisa do "d". O "d" está tentando você. O "d" isso, o "d" aquilo. Caramba, que coisa de maluco. A pessoa que deveria se preocupar em praticar o bem e seguir os mandamentos do "d" de cima, só fala no "d" de baixo. Se bem me lembro, a bíblia diz que você deve ajudar o próximo . Se isso é verdade e se eles seguem o que está escrito na bíblia, por que existem seguranças para manter as pessoas que mais precisam de ajuda bem longe da casa do senhor?

Macedo e sua turma são bem espertos. Eles pedem dinheiro e recebem. E recebem muito. Alguns já destinam um percentual do seu salário para a doação. Voltando a reportagem, o grupo da Igreja Universal tem uma receita anual estimada em 3 bilhões por ano. Isso é muito dinheiro. Claro que nem tudo é doação, muitas coisas vêm de negócios do grupo. Negócios, grana, e não ajuda ao próximo. Isso não é uma religião, isso é um negócio.


Neste ponto, algum fanático ou mesmo alguém com bastante fé nas palavras de Macedo já estaria me chamando de blasfemador e me condenando ao fogo do inferno. Mas teria que me escutar também. Porque se apenas os pastores e seus seguidores que só falam do demônio, se preocupam mais com doações para caras que não estão nem aí para os pobres que precisam de ajuda, que não respeitam outros tipo de fé, se apenas esses merecem ir para os reinos do senhor, então digo que prefiro ir para o fogo.


Igreja Universal distribui "óleo santo" contra a dengue - Diante da epidemia de dengue que mata no Rio de Janeiro, muitas soluções tem sido apresentadas. Larvicida, fumacê, tendas de hidratação, hospitais de campanha, anúncios na TV e outdoors na tentativa de esclarecer a população quanto ao combate dos focos do mosquito. Esqueça tudo isso! A salvação está num "óleo santo" distribuido pela notória Igreja Universal do Reino de Deus. Num panfleto intitulado "Proteção divina contra a dengue", a Igreja conclama os incautos a se concentrarem nas dependências da suntuosa "Catedral Mundial da Fé", onde receberão um "cálice com o óleo santo" para que "todos sejam livres desta epidemia". No verso do folheto, um espaço para que o fiel possa listar as pessoas que serão agraciadas com a "oração da proteção". Tamanha estupidez dispensa maiores comentários. As imagens do panfleto falam por si.

 
Igreja Universal dá a dizimista diploma assinado por Jesus - No caso da condenação da Igreja Universal do Reino de Deus pelo Tribunal de Justiça de Minas por explorar uma pessoa portadora de déficit mental, passou despercebido um detalhe, mas revelador do quanto são enganadores os pastores dessa seita. Do zelador Edson Luiz de Melo, os pastores tiram tudo que puderam. Além de entregar todo o seu salário à seita, Melo emitiu cheque pré-datado e vendeu um terreno e entregou o dinheiro à IURD. Em troca, o zelador recebeu um diploma de dizimista assinado, veja só, pelo próprio Jesus Cristo, o "abençoador", que, aliás, observe na reprodução acima, caprichou na caligrafia. A informação é do portal mineiro Uai. O diploma transcreve Malaquias 3.10-12, que, entre outras coisas, diz “Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, par que haja mantimentos na minha casa”.

Se isso não for charlatanismo então alguém me diga o que é.

O que houve com Melo, que acabou sendo afastado do serviço por causa do agravamento de sua doença, foi justamente o que promete o diploma de dizimista. Como dava tudo que tinha à Igreja Universal, faltou-lhe dinheiro inclusive para compra de remédio.

O Ministério Público deveria enfrentar a Igreja Universal, porque não se trata apenas de um caso, do zelador Mello. Existem outros. É só apurar um pouco, que eles aparecem um monte, uma montanha.

Igreja Universal é condenada por explorar deficiente mental

Pastores da Igreja Universal em Minas Gerais se aproveitaram da deficiência mental do zelador Edson Luiz de Melo (na foto com a sua mãe, Dulce de Conceição) para explorá-lo com a exigência de dízimo e doações desde 1996. O caso foi parar na Justiça e o Tribunal daquele Estado condenou a igreja a devolver ao fiel o total da quantia que ele pagou desde aquele ano.

O advogado do zelador, Walter Soares Olivera, estima que a devolução deva superar os R$ 50 mil. Além disso, a igreja terá de pagar indenização de R$ 5 mil por danos morais.

A decisão do 13ª Câmara Cível do Tribunal de Minas Gerais foi unânime.

“A instituição religiosa que recebe como doação valor muito superior às posses do doador, sem a devida cautela, responde civilmente pela conduta desidiosa”, afirmou o desembargador Fernando Botelho, relator do processo.
Os pastores aproveitaram-se do zelador sem dó nem piedade. Mesmo após ter sido afastado do emprego por causa do agravamento de sua doença, ele foi induzido a continuar com as contribuições. Emitiu cheques pré-datados, pegou dinheiro emprestado em banco e vendeu um terreno bem abaixo do seu valor. Tudo para beneficiar a igreja do bispo Edir Macedo.

No processo, consta que os pastores prometiam milagres em troca de dinheiro.

Melo foi alertado por parentes e amigos da exploração da qual estava sendo vítima, mas a todos ele chamava de “demônio”, incluindo a sua mãe.

COMENTÁRIO

Além de a Igreja Universal do Reino de Deus ter de devolver o dinheiro, os pastores que tiraram proveito do zelador mentalmente incapaz deveriam ser condenados à cadeia. Esses sujeitos são malandros, picaretas. Deveriam ser penalizados exemplarmente. Já passou da hora de dar um basta a esse tipo de coisa.

As Contas Secretas da Igreja Universal

Documentos mostram que o bispo/senador Crivella (PL-RJ) seria responsável por empresas que lavam dinheiro em paraísos fiscais

Desde 1999, um inquérito na Procuradoria da República investigava as relações de líderes da Igreja Universal do Reino de Deus com duas empresas – a Cableinvest Limited e a Investholding Limited –, ambas com sede nas Ilhas Cayman, paraíso fiscal britânico localizado no Caribe. Seis anos depois, a quebra do sigilo fiscal da igreja é pedida ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Cláudio Fonteles. O objetivo é investigar a existência de um esquema nos moldes da lavanderia montada por PC Farias.

Para a Procuradoria da República, há indícios de que o esquema foi utilizado para a compra da TV Record do Rio, em 1992, e de outras emissoras. As duas offshore (as subsidiárias criadas em paraísos fiscais para fugir da cobrança de impostos) enviaram dinheiro ao Brasil, por meio de operações irregulares, para a conta bancária de bispos da Universal e também de “laranjas”. Documentos da Receita Federal comprovam essas transações. As remessas e recebimentos totalizam US$ 18 milhões (R$ 44,6 milhões) e comprovariam a evasão de divisas.

ISTOÉ teve acesso a parte da documentação que deu início às investigações e levou o procurador Fonteles a pedir a quebra de sigilo. A revelação mais explosiva é a identidade de um dos donos das empresas Cableinvest e Investholding. Por trás da operação em Cayman estaria Marcelo Crivella, um economista carioca de 43 anos, filho de Matilde Bezerra, irmã de Edir Macedo, o principal líder da igreja. Crivella é bispo da igreja e foi eleito senador pelo PL do Rio, em 2002. Segundo o relatório da Procuradoria Geral da República de maio de 2003, ao encaminhar o caso para o STF, as investigações realizadas pela Interpol constataram que um dos acionistas da Cableinvest é Crivella. Agora, com a quebra de sigilo, os bancos podem liberar extratos que comprovarão quem é o dono das empresas. Nos papéis obtidos por ISTOÉ, aparecem a assinatura do senador, reconhecida por um cartório de São Paulo.

Esses documentos foram recolhidos por ex-dirigentes que tinham acesso à contabilidade da igreja, a contratos de compra e venda (de emissoras de rádio e tevê, imóveis e até de uma aeronave), além de declarações de Imposto de Renda de líderes da Universal. Crivella já depôs este ano na Polícia Federal do Rio e negou ser dono das empresas.

O império – A Igreja Universal está hoje em mais de 80 países, de acordo com seus líderes. Mas, para alcançar esse crescimento, deixou rastros pelo caminho: enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, compra da Record através de laranjas, acusações de curandeirismo e charlatanismo, chutes na imagem de uma santa e dissidências. Mas nada se compara a essas denúncias. Segundo a Procuradoria, há evidências de como funciona o esquema de lavagem de dinheiro da igreja. Ele passa por uma triangulação entre doleiros no Brasil, as empresas de offshore nas Ilhas Cayman e bancos de investimento no Uruguai. Numa pequena mostra do esquema, ISTOÉ comprovou que, em 76 contratos, entre fevereiro e outubro de 1992, as duas empresas emprestaram US$ 6,3 milhões aos bispos, pastores e seletos simpatizantes da Universal. Entre outros negócios, esse dinheiro serviu para justificar a compra da TV Rio. Os empréstimos têm um prazo de cinco anos para ser quitados, mas não há definição quanto ao número de parcelas nem data do início de pagamento. Nesses contratos, por exemplo, Alba Maria da Costa, então diretora de várias empresas do grupo Universal, recebeu um total de US$ 843 mil em dez contratos. Outros R$ 56 milhões (valores atualizados), em operações já comprovadas pela Receita Federal, foram parar nas contas de chefes da igreja, como os bispos Honorilton Gonçalves, responsável pela superintendência executiva da Rede Record; João Batista Ramos da Silva, deputado federal (PFL-SP) e ex-presidente da Record; e Carlos Rodrigues, deputado federal (PL-RJ) e hoje rompido com a Universal. Rodrigues chegou a ter um aumento em seu patrimônio de 15.000%.

O senador Crivella é figurinha fácil em processos que correram na Receita e no Ministério Público. Em 1990, ele e outros testas-de-ferro da Universal compraram a TV Record de Franca (SP), oficialmente, por Cr$ 45 milhões (hoje cerca de R$ 1,2 milhão). O dinheiro, como em outras aquisições do tipo, foi emprestado pela própria igreja. Na investigação de sonegação de impostos, a Receita, depois de quatro anos de trabalho, registra em seu relatório que os “empréstimos (foram) efetuados sem qualquer acréscimo, configurando-se em verdadeira doação”.


As provas do esquema de lavagem de dinheiro mostram o poder de Crivella sobre as ações das duas empresas de Cayman. Em um comunicado enviado aos diretores da Cableinvest, em nome dos “proprietários beneficiários” da empresa, Crivella autoriza o então presidente do Banco de Crédito Metropolitano (que pertencia à igreja e passou a chamar-se Credinvest), o executivo Ricardo Arruda Nunes, a movimentar “uma nova conta bancária com o Union Chelsea National Bank”. Crivella não está sozinho nesta operação. Outro brasileiro que aparece como sócio das empresas de Caymam é Álvaro Stievano Júnior. A trajetória de Stievano no reino da Universal é pouco sutil. Depois de passar pela diretoria do banco de Macedo, tornou-se diretor da New Tour Turismo, também de propriedade da igreja. Em comum com os dois cargos, o manuseio de dólares.

A dupla dinâmica assina, como acionistas e diretores da Investholding Ltd., outros dois documentos importantes, nos quais revelam suas relações com a empresa. “Eu, abaixo-assinado, sendo acionista e diretor da Companhia, por meio deste, designo Robert E. Axford ou, na sua ausência, Richard E. Douglas ou, na sua ausência, Ian A. N. Wight, ou, na sua ausência, Anne Mervyn para ser meu procurador (a ter minha procuração) para votar por mim e em meu interesse, para me representar em toda reunião anual da diretoria”, dizia a procuração. “Em cada compromisso permanecerá com totais poderes até revogação por parte do designador (abaixo-assinado) por escrito à companhia.” O documento dava poderes para votação na aprovação do balanço anual, reeleição de diretores e “outros assuntos sobre os quais o designado tenha recebido instruções expressas do designador”. Na ata da primeira reunião dos diretores da Investholding, no escritório da sede da empresa, em George Town, capital das Ilhas Cayman, ficou registrado que os dirigentes da empresa Robert Axford e Adrian Hammond seriam detentores de uma única ação da companhia cada um. Também que Axford ficaria como presidente, Crivella como diretor-vice-presidente e Stievano, diretor-secretário. Posteriormente, foi registrado o pedido de demissão dos diretores Axford e Hammond. O curioso é que o nome de Crivella aparece acima do nome do presidente da Investholding num relatório de reunião da empresa. Pelo menos até 1995, a mesma Investholding detinha cerca de 50% das ações do banco de Macedo.

Vaivém – O caminho de volta do dinheiro ao Brasil também está esmiuçado: os recursos transferidos para Cayman vinham sendo depositados em agências do Banco Holandês, em Montevidéu no Uruguai. Os dólares eram depositados em agências do Holandês nos Estados Unidos que repassavam o montante à agência de Montevidéu, além de uma operadora de câmbio uruguaia, a Cambio Val. Lá, os dólares eram convertidos em cruzeiros, com isenção de impostos, e enviados à filial brasileira, nas contas das duas empresas. Pelo menos US$ 7,5 milhões chegaram ao Brasil através do Banco Holandês e outros US$ 10 milhões por intermédio da Cambio Val, conforme registram dezenas de boletos. O certo é que o dinheiro recolhido em mais de dois mil templos da Universal voltaram ao Brasil sem pagar imposto e foram para a conta de alguns poucos escolhidos. Essas irregularidades serão apuradas agora pelo STF. E podem abalar o império do bispo.

* Valores convertidos pelo dólar de agosto de 1998, quando surgiram as denúncias

Quem é Edir Macedo
Edir Macedo Bezerra (Rio das Flores, 18 de fevereiro de 1945) é um empresário e religioso brasileiro, fundador da denominação neopentecostal Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Promotora e defensora da Teologia da Prosperidade, a IURD cresceu e tornou-se a quarta maior corrente religiosa do país, segundo o Censo de 2000.[1]
Nascido numa família católica praticante, cultivou esta fé e, posteriormente, freqüentou terreiros de umbanda antes de se tornar evangélico. No início dos anos sessenta, filiou-se à Igreja Nova Vida. Em 1971 casou-se com Ester Eunice Rangel. Posteriormente, criou, em 1974, o ministério Cruzada do Caminho Eterno.

Em 1977, fundou a Igreja Universal do Reino de Deus, cuja primeira sede funcionava no prédio de uma antiga funerária, na Zona Norte do Rio de Janeiro, e hoje está na Catedral Mundial da Fé. Bacharelou-se em teologia em 1981. Estima-se que sua denominação religiosa tenha mais de quinze milhões de fiéis no Brasil e templos em mais de cento e setenta países no mundo.

Comanda também a Rede Record, a Rede Família, Record News, a Line Records, 37 estações de rádio Rede Aleluia e um parque gráfico Universal Produções. Autor de vários livros de caráter religioso, e do polêmico best-seller "Orixás, Caboclos e Guias, Deuses ou Demônios", detém também doutoramentos em Teologia e em Filosofia Cristã, e Honoris Causa em Divindade, todos pela Faculdade de Educação Teológica do estado de São Paulo.

É o fundador e responsável direto pela IURD em mais de setenta países da Europa, Ásia, Oceania, África e Américas

Formação acadêmica
• Bacharel em Teologia - Faculdade Evangélica de Teologia "Seminário Unido"
• Doutor em Teologia - Faculdade de Educação Teológica no Estado de São Paulo (FATEBOM)
• Doutor em Filosofia Cristã - Faculdade de Educação Teológica no Estado de São Paulo (FATEBOM)
• Doutor Honoris Causa em Divindade - Faculdade de Educação Teológica no Estado de São Paulo (FATEBOM)
• Mestre em Ciências Teológicas - Federación Evangélica Española de Entidades Religiosas - "F.E.E.D.E.R" (Madrid)

Títulos
• Cidadão Benemérito do Estado do Rio de Janeiro (conferido pela Assembléia Legislativa, conforme a resolução 41/1987;
• Medalha Tiradentes (conferida pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro);
• Cidadão Petropolitano (Câmara Municipal de Petrópolis - RJ);
• Cidadão Paulistano (Câmara Municipal de São Paulo).

Outras atividades profissionais
Escritor evangélico com mais de 10 milhões de livros vendidos, divididos em 34 títulos, destacando-se best-sellers "Orixás, caboclos e guias" e "Nos Passos de Jesus", ambos com mais de três milhões de exemplares vendidos no Brasil.

Organizador de concentrações evangélicas no Brasil e em outros países
• 1994 (Aterro do Flamengo - RJ) - Mais de um milhão de pessoas
• 1995 (Vale do Anhangabaú - SP) - Mais de um milhão de pessoas e arrecadação de 700 toneladas de alimentos não-perecíveis para as comunidades carentes
• 1998 (Praça da Apoteose - RJ) - 200 mil pessoas concentradas em clamor a Deus
• 2005 (Aterro do Flamengo - RJ) - Mais de um milhão de pessoas
• 2007 (Praia de Botafogo - RJ) - 650 mil pessoas [3]
• 2007 (Centro Administrativo - Ba) - 100 mil pessoas

Destaca-se, também, na liderança de concentrações evangélicas em todos os estádios do Brasil, além de eventos internacionais, concentrando grande número de pessoas de vários países.

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Última atualização ( Sáb, 22 de Maio de 2010 02:13 )  

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